Poderá o turismo ser utilizado como actividade geradora de desenvolvimento económico no Concelho de Mira?

No ano dia 27 de Agosto de 1514 o concelho de Mira é confirmado através do foral de D. Manuel I, dado em Lisboa à vila de Mira.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Entrevista à Vereadora do Turismo e Cultura - Dra Sandra Pereira



1.Nos inquéritos que efectuámos aos habitantes do nosso concelho, 92% dos inquiridos consideraram que o turismo no Concelho de Mira pode ser aproveitado como actividade geradora de desenvolvimento económico. Concorda com eles?
Obviamente, o sector do Turismo é um dos mais importantes sectores da economia portuguesa, representando cerca de 8% do PIB e absorvendo perto de 10% do emprego.
O efeito multiplicador que o Turismo induz em várias áreas é fundamental e de enorme importância, pois permite uma articulação entre os vários sectores de actividade como o alojamento, a restauração, o artesanato e os produtos locais, o comércio e a pequena indústria, entre outros.
Deste modo,e tendo em consideração estes aspectos, Turismo pode e deve ser encarado como uma actividade geradora de desenvolvimento económico contribuindo para a dinamização e desenvolvimento local, particularmente do concelho de Mira.
Sendo um Concelho de pequenas dimensões, apenas com cerca de 13 mil habitantes, situado na beira atlântica, onde o sector primário se evidencia, o turismo será, sem dúvida o sector basilar de grande parte da população.

2. Para que possamos utilizar o turismo como fonte geradora de desenvolvimento económico é necessário criar algumas estruturas de apoio aos nossos visitantes. Neste sentido, como avalia as estruturas turísticas (embelezamento dos espaços, unidades hoteleiras, vias de acesso, comércio) do Concelho?
Evidenciando que Mira é recordista no Galardão Bandeira Azul da Europa, praia com qualidade ambiental, desde há 23 anos, tem havido o necessário interesse e investimento da autarquia para que todas as condições e critérios sejam cumpridos, quer na Praia de Mira, quer na Praia do Poço da Cruz. O concelho de Mira possui ainda diversos espaços de lazer, parques de merendas, dispersos por todo o concelho: Seixo, Casal de S. Tomé, Lagoa, Praia de Mira, Parque da Calvela – Ermida, alguns a cargo, limpeza e cuidado (restauro) das freguesias respectivas, os quais são de enorme importância proporcionando agradáveis momentos em família ou com amigos.
De evidenciar também, a pista pedonal e ciclável, como estrutura de referência, que já recebeu prémios ambientais.
Relativamente a unidades de alojamento, o concelho possui:
- Dois Hotéis; o Hotel Quinta da Lagoa (2 estrelas) /Aldeamento Quinta da Lagoa (3 estrelas) e o Aparthotel Miravillas (4 estrelas);
- Quatro residenciais: Residencial Canhota (Mira), Residencial Maçarico (Praia de Mira), Residencial Arco-Íris (Praia de Mira) e residencial Miratlântico (Praia de Mira);
- Três Parques de Campismo: Parque de Campismo Municipal, Parque de campismo Orbitur e Parque de campismo Vila-Caia;
- 1 Pousada da Juventude – Parque de campismo de jovens.
Quanto a vias de acesso o concelho está provido de óptimas vias de acesso como é o caso da nova Auto-estrada SCUT A17, a nova variante para a Praia que veio tirar a massiva concentração de tráfego no verão.
O comércio do concelho é em geral diversificado e equilibrado em relação à procura do mesmo. A autarquia juntamente com a UAC (Unidade de Acompanhamento e Coordenação) reconhece o valor do comércio na actividade turística tendo elaborado um mapa/directório dos serviços e comércio existentes na Vila de Mira e estando, neste momento, um em estudo para a Vila da Praia de Mira.

3.
Considera que o Concelho está a ser aproveitado em todas as suas potencialidades a nível turístico?
As potencialidade do Concelho de Mira a nível turístico estão devidamente identificadas e acompanhadas, embora haja ainda muito para fazer, especialmente na área do ecoturismo e turismo de natureza, cujos recursos existentes são alavancares e de extrema importância patrimonial.

4. Actualmente o nosso concelho é considerado por muitos um ponto forte do ecoturismo e turismo rural.

4.1 Acha que estes novos tipos de turismo podem ser transpostos para a realidade ou não passam de propostas teóricas?
O Ecoturismo, o turismo cultural, o turismo de natureza, entre outros, são na realidade já muito procurados, competindo aos agentes de desenvolvimento locais a sua valorização e efectiva oferta de qualidade. Proporcionam uma maior consciencialização e conhecimento das práticas e patrimónios locais, permitindo um envolvimento e desenvolvimento económico das populações locais.
Embora ainda se sinta, no concelho, alguma falta de iniciativa e empreendedorismo pela parte dos investidores/empresários privados para uma maior qualificação da oferta dos produtos turísticos, esta será a realidade que futuramente valorizará Mira como destino turístico, para além da proposta Sol e Mar.


4.2 Na sua opinião este turismo poderá economicamente superar o turismo sazonal?
Embora o turismo sazonal de sol e mar proporcione a Mira um grande afluxo de veraneantes, esta é uma procura massificada, sobretudo no mês de Agosto, que também tem os seus inconvenientes com a utilização excessiva dos recursos locais. Economicamente, este tipo de turismo é importante para a dinâmica da Praia de Mira, mas não se reflecte no restante concelho.
Já com outras propostas de turismo, a viabilidade económica de crescimento sustentado poderá ser mais constante, podendo pela qualidade da oferta superar o peso económico do turismo sazonal.


5. A sustentabilidade é tema da ordem do dia em todas as áreas e o turismo não é excepção. Considera que podemos efectivamente construir um turismo sustentável, isto é, que não interfira com equilíbrio do ecossistema?

A questão da sustentabilidade é sempre um tema que suscita grandes dúvidas, pois o desenvolvimento económico nem sempre é compatível com a sustentabilidade. Tenta-se, cada vez mais, conjugar estes dois temas: desenvolvimento e sustentabilidade, pois temos de pensar nas gerações vindouras, qual a herança e o futuro que lhes iremos transmitir. Um Turismo que usufrua…mas que também preserve e valorize o que existe, que não seja mero consumidor.
Relativamente ao sector do turismo, este não pode ser visto como uma actividade isolada, mas sim como um todo, é um sistema que comporta várias actividades económicas, sociais e ambientais. Assim sendo, é necessário existir uma coordenação e cooperação de todos estes factores de forma a contribuir para a conservação da natureza, bem como promover a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais, logo, um turismo sustentável.

6. Reflectindo agora sobre as actividades que estão a ser desenvolvidas pela Câmara Municipal, entidade responsável pela gestão do turismo na região…

6.1 Que investimentos foram feitos nos últimos anos no sentido do desenvolver o turismo no concelho? Considera que estes foram geridos / aproveitados da melhor forma?

A Câmara, como agente local que visa o desenvolvimento local e a preservação do património, em benefício das suas populações, vê no Turismo uma forma de melhorias das condições de vida dos locais, daí o seu investimento na melhoria das estruturas e atractivos para os turistas.
Os investimentos feitos nos últimos anos no sentido de desenvolver o turismo no concelho foram vários e de vária ordem, dos quais destacamos:
- Construção, ampliação e manutenção da Pista pedonal e ciclável, com os seus 32 Km,n que passa por zonas de floresta, lagunares, de moinhos e outras, permitindo a observação e conhecimento da fauna e flora local.
- Valorização e ordenamento da Praia do Poço da Cruz.
– A requalificação e valorização da Ria de Aveiro – Polis Ria (Polis da Ria de Aveiro) acções/intervenções no concelho de Mira, nomeadamente ao nível da linha costeira e dos recursos hídricos locais;
- O Reordenamento do Parque de Campismo Municipal;
- A construção de unidades Complementares de Alojamento do Parque de Campismo Municipal – Bungalows;
- O Prolongamento da Marginal a Norte da Praia de Mira;
- Requalificação do centro da Praia de Mira;
- Limpeza dos viveiros da Praia de Mira;
- Limpeza das Matas e valas, cuidado dos parques existentes;
- Revitalização da Zona Marginal Norte e Sistema Dunar da Praia de Mira;
- Organização da Mostra Gastrómica da Região da Gândara, que decorre na praia de Mira em época de baixa procura turística.

6.2 Que investimentos estão agendados para o desenvolvimento turístico de Mira nos próximos anos?
- Novo campo de tiro – O projecto do novo Campo de Tiro de Mira e tem como objectivo dotar o concelho de uma infra-estrutura que permita não só a realização de provas nacionais, como internacionais oportunidade quase única de valorização, qualificação e preservação de algum do maior património do concelho.
- Novo Museu do Barco - CIPCAM
- Pavilhão desportivo da Praia de Mira
- Parque de campismo da juventude - novas infra-estruturas vão criar condições de excelência ao serviço da juventude
- O novo Núcleo Museológico de Mira – um equipamento de elevada qualidade para o turismo e cultura do concelho
- Novo Clube Náutico da Praia de Mira

7. Porque a forma de acolhimento e o embelezamento dos espaços são a imagem de marca de qualquer Concelho, nos nossos inquéritos pedimos também aos mirenses que avaliassem qualitativamente (muito má, má, razoável, boa, muito boa) a atractividade turística do concelho, a hospitalidade e o alojamento oferecido.
Gostaríamos também de conhecer a sua opinião acerca destes aspectos.

Como já foi referido, o concelho de Mira possui excelentes condições e oferta turística com seu património natural, cultural, religioso, gastronómico, etc.
Tem, neste momento bons acessos e boas estruturas de acolhimento.
Tem a maior riqueza nas suas gentes, que para além das entidades competentes, deverão ser os principais impulsionadores de uma oferta de qualidade que se imponha a nível regional, nacional…e mesmo internacional!!!

sábado, 29 de maio de 2010

Codigo de Conduta nas Nossas Rotas e Conselhos Úteis!


1. Em termos de orientação espacial estas rotas não oferecem grande dificuldade uma vez que estão convenientemente sinalizadas e que quase todo o percurso é pavimentado.

2. Evite andar sozinho se sofre de doenças como a diabetes ou é susceptível a alergias sazonais.

3. Ao longo da ciclovia, evite andar com grupos numerosos pois são convidativos a ruídos excessivos e, por conseguinte, a desordem. Não se esqueça que a Natureza é um local onde ecossistemas se interrelacionam e o único som que interessa ouvir é o dos seus intervenientes.

4. Se um dos elementos do grupo ficar para trás devido ao cansaço, que passe para a frente e seja ele a marcar o ritmo da marcha.

5. Ao atravessar as povoações lembre-se que cada comunidade tem as suas tradições, usos e costumes. Respeite-os: será bem - vindo numa próxima visita!

6. Use calçado e vestuário leve e confortável.

7. Traga sempre consigo uma garrafa de água, sobretudo durante a época estival, evitando a desidratação. Faça também refeições ligeiras ao longo dos percursos.

8. Se se fizer acompanhar do seu animal de estimação, certifique-se que não é provocador de distúrbios para a fauna selvagem (no caso da ciclovia) e para os restantes pedestrianistas. Nunca o abandone!

9. Não faça fogo e previna todas as situações susceptíveis de o provocar como fósforos, beatas etc.

10. Não leve para casa "souvenirs" do local que está a visitar, por isso, não arranque quaisquer plantas: a Natureza é o seu habitat!

11. Nunca deixe lixo espalhado: traga sempre consigo um saco plático onde possa armazenar porque o contentor mais próximo é já a seguir...

12. Ao longo dos percursos visitará algumas estátuas, respeite-as, seguindo as indicações dos painéis juntos, são património cultural.

Património Cultural


A Igreja Matriz de Mira

Esta igreja foi construída em 1960 por ordem do Bispo D. João de Melo, tendo sido reformada no século XIX, e novamente em 1972 e 1981. Esta apresenta uma arquitectura religiosa, barroca e oitocentista sendo um típico edificio provinciano do final de seiscentos de planta longitudinal, nave única e paredes planificadas. No seu interior destacam-se os azuleijos rococó - azulejos com 13 cenas da Paixão de Cristo com pinturas barrocas (os quais são considerados património nacional) e as pinturas do tecto setecentistas. Nesta poderá ainda encontrar estátuas do padroeiro da terra – S. Tomé e de S. Pedro do século XV.





A Casa Gandareza


Esta arquitectura, outrora dominante na zona, era característica das áreas mediterrâneas e terá sido importada para a Gândara e adaptada às condições socio – económicas do século XIX. É uma casa de pátio fechado, contruida em adobes que eram feitos de areia e cal sendo secos ao sol.
Estas casas são formadas por um conjunto janela – porta – janela possuindo um largo portao de madeira ao centro. Em cima, existem duas aberturas que permitem a luminosidade para o celeiro, e debaixo do beiral, a cimalha ornamenta a fachada da habitação. O requinte o pormenor da fachada era outrora indicador da situação económica da família. O telhado é de duas águas e coberto de telha canuda de fabrico artesanal, substituída, mais tarde, pela telha Francesa, que assenta em barrotes e ripas.

Característicos destas casas eram o trabalho das madeiras, das cantarias em pedra de Ançã, as cimalhas e pendões mais ou menos decorados, mais ou menos coloridos mas sempre sóbrios e demonstrativos de uma estética particular.